O guitarrista que disse não ao RPM: A história do primeiro guitarrista escolhido, Guto Marialva.

Guto Marialva: o guitarrista que poderia ter sido o primeiro integrante do RPM



A história do RPM é conhecida por milhões de fãs. Os discos, os shows, os recordes, os anos de ouro do rock brasileiro.
Mas, como toda grande história, existe também um capítulo menos conhecido — aquele que acontece antes do sucesso, quando tudo ainda era dúvida, tentativa e decisão.

Esse capítulo tem nome e sobrenome: Guto Marialva.
Antes do RPM, havia escolhas

No início dos anos 1980, Paulo Ricardo ainda buscava seu caminho definitivo na música. Antes da explosão nacional do RPM, ele passou por diferentes projetos e formações, entre elas a banda Aurora, um grupo de covers onde dividiu palco com Guto Marialva e o baterista Índio, do Made in Brazil.

Guto não era apenas um guitarrista promissor.
Tinha formação musical sólida, transitava por diferentes estilos e já demonstrava um olhar técnico e disciplinado sobre a música. Ao mesmo tempo, construía uma carreira profissional fora dos palcos: era engenheiro e trabalhava no IPEN – Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, em São Paulo.
O convite que mudou a história

Em março de 1984, após a recusa de uma gravadora e a decisão de deixar de ser apenas um duo, Paulo Ricardo e Luiz Schiavon chegaram à conclusão de que precisavam montar uma banda de verdade. Um guitarrista era peça-chave nesse novo projeto que, pouco depois, receberia o nome de RPM.

O primeiro nome lembrado foi justamente o de Guto Marialva.

Segundo o livro Revelações por Minuto, Paulo e Luiz chegaram a conversar com ele. A afinidade musical existia, a história em comum também. Mas havia um obstáculo decisivo: Guto tinha uma carreira estável e não queria “trocar o certo pelo duvidoso”.

Naquele momento, entrar em uma banda de rock significava apostar tudo em um futuro incerto. Não havia garantias de sucesso, contratos ou reconhecimento. Guto fez uma escolha rara — e profundamente humana: recusou o convite e seguiu sua trajetória profissional como engenheiro.

Essa decisão abriu espaço para a entrada de Fernando Deluqui, definindo a formação clássica do RPM.
Música sem holofotes

Ao contrário do que muitos imaginam, Guto Marialva não abandonou a música. Ele seguiu compondo, arranjando, produzindo e tocando, longe da grande mídia, mas sempre respeitado no meio musical.

Anos depois, foi um dos integrantes da banda Carmina Rock, projeto que reunia rock, pop e soul, com releituras sofisticadas e forte identidade musical. Ali, Guto atuou como compositor, arranjador e multi-instrumentista, deixando sua marca artística de forma discreta, porém consistente.
Uma despedida silenciosa

Guto Marialva faleceu em 2014. Na ocasião, Paulo Ricardo publicou uma mensagem curta e direta em suas redes sociais, despedindo-se de “um grande amigo e parceiro do início da carreira”.
Poucas palavras, mas carregadas de significado.

Era o reconhecimento público de alguém que esteve presente no ponto de partida — antes dos discos, antes da fama, antes de tudo.
O que poderia ter sido

É impossível não se perguntar:
como teria sido o RPM se Guto Marialva tivesse dito sim?

Talvez a sonoridade fosse outra.
Talvez a história fosse diferente.
Ou talvez o sucesso jamais tivesse acontecido da mesma forma.

O fato é que a trajetória do RPM também foi moldada pelas escolhas de quem ficou pelo caminho. E Guto Marialva ocupa um lugar especial nessa narrativa: o do músico que teve a chance de fazer parte da maior banda de rock dos anos 80 no Brasil, mas escolheu outro destino.
🎬 Assista ao vídeo

Neste vídeo especial, contamos em detalhes a história de Guto Marialva, o guitarrista que poderia ter sido o primeiro integrante do RPM — com base em relatos oficiais, trechos do livro Revelações por Minuto e registros históricos.