Luiz Schiavon, os teclados que mudaram o rock no Brasil

Luiz Schiavon, a fábrica de hits, do RPM ao Rei do Gado.


Quando menino, ele queria praticar judô, mas sua mãe insistiu que ele estudasse piano.

A formação acadêmica começou aos 7 anos, foram 14 anos de estudo em total, o que lhe permitiu ser referência na história musical do Brasil.

Compositor e produtor começou a tocar em uma banda cover do "Deep Purple", no dia em que o grupo se separou conheceu Paulo Ricardo, com quem formaria uma das mais importantes bandas de rock do Brasil.

Ele foi a primeira pessoa no país em 1985, a colocar um computador no palco, os teclados de Schiavon deram um som diferente ao RPM, naquele boom que o rock teve nos anos 80. Sintetizadores é marca registrada de Luiz na sonoridade do RPM,

Schiavon ficou responsável pela música e arranjos, e Paulo Ricardo pelas letras, no que seriam as composições do primeiro LP RPM lançado em 1985. Essa foi a fórmula do sucesso do RPM, ambos eram o cérebro da banda, e isso não poderia existir se esta fórmula não tivesse funcionado.

Após o sucesso dos primeiros discos, os conflitos gerados pelo sucesso e um último trabalho em 1988, a banda se separa e Luiz sai em busca de novos rumos.

Depois do fim do RPM, faz parte de uma banda pop-rock de nome Projeto "S". Foi lançado apenas um álbum, com venda de 15 mil cópias, o que na época era considerado bom para um selo independente. Em 1991 assinou com a gravadora Stilleto, especializada em dance music. Foi lançado um single com os vocais divididos entre a cantora Patrícia Coelho e o vocalista Tzaga Silos.

Este single, de nome Alice no País do Espelho foi muito bem executado nas FMs do segmento, mas com a morte prematura aos 40 anos do amigo de Luís e proprietário da gravadora, o inglês Lawrence, Schiavon preferiu interromper as gravações do álbum e encerrou a fase de trabalho com o Projeto S.

Em 1992 foi convidado a desenvolver um complexo trabalho de shows ao ar livre, mais ou menos nos moldes das apresentações do tecladista francês Jean-Michel Jarre, destinado a grandes platéias e com interferência nas cidades, utilizando elementos da arquitetura para projeções e estações de lasers. Este projeto durou 2 anos, patrocinado pelo Bamerindus, teve cerca de 40 apresentações por todo o sul do Brasil, de São Paulo ao Rio Grande do Sul, sempre com platéias acima de 10 mil pessoas, culminando com um show em Curitiba, na entrega do restaurado Palácio Avenida, para 50 mil espectadores. Com o final deste projeto, Luís prefere deixar definitivamente os palcos. Passa então a se dedicar exclusivamente ao estúdio, montado em SP desde 1988.

Por volta de 1994 começou o que acabou recebendo o apelido de "fábrica de hits". Foram músicas gravadas por dezenas de artistas, tanto consagrados quanto iniciantes. Até mesmo o ator Antonio Fagundes foi convencido a gravar um CD, lançado pela Som Livre. Paralelamente se dedica à criação publicitária, somando mais de 200 jingles e trilhas comerciais nos 2 ou 3 anos iniciais.


Em 1996 inicia um novo tipo de trabalho, compondo trilhas sonoras para novelas da Rede Globo. A primeira foi O Rei do Gado, que tem quatro músicas de sua autoria. O Rei do Gado, com a Orquestra da Terra, Doce mistério, com Leandro e Leonardo, e Pirilume, com João Paulo e Daniel, foram as mais tocadas. Além deste trabalho como compositor e arranjador, fica responsável pela seleção musical das duas trilhas desta novela, que chegaram à excepcional vendagem de 4 milhões de cópias.


A próxima novela foi Terra Nostra (1999). Com a credibilidade obtida com O Rei do Gado, Schiavon tem total liberdade criativa e escreve a abertura da novela (além de várias outras canções da trilha), conseguindo ainda a participação da soprano inglesa Charllote Church num dueto com Agnaldo Rayol e participação da London Studio Orchestra. Esta música se tornou sucesso no Brasil e no exterior, sendo executada em mais de 100 países.

Finalmente veio Esperança (2002). Mais uma vez foi sucesso com a faixa de abertura, gravada pela primeira vez em 4 línguas, com a participação de Laura Pausini na versão em italiano. E o tema da Nina (Maria Fernanda Candido), Onde está o meu amor, com o RPM.



Em 2002 o RPM volta a se reunir para o trabalho na MTV, mas depois de quase dois anos de turnê a banda se separa novamente. Em 2004, juntamente com o ex-guitarrista do RPM Fernando Deluqui, formam a banda LS&D, na qual a faixa "Madrigal" é escolhida para ser a música de abertura da novela da TV Globo "Cabocla". 
Com o LS&D lançaram apenas um disco, após este trabalho Luiz passaria a integrar o programa Domingão do Faustão, sendo o diretor da banda musical, que acompanhava Fausto Silva todos os domingos.

Em 2011 Luiz deixa de fazer parte do programa para um novo projeto com RPM, a banda com sua formação original lança o álbum duplo "Elektra", estão em turnê durante 5 anos e a banda resolve dar um Tempo.


Um ano depois, em 2018, 3 dos 4 integrantes do RPM decidem que a banda deve continuar, sem Paulo Ricardo, que  prefere continuar na carreira solo. 

É então que Dioy Pallone entra na banda para dar continuidade ao grupo, as vozes agora seriam compartilhadas entre Dioy e Deluqui.


Em 2019 com a morte de Paulo Pagni, a banda com sua nova formação recebe um duro golpe. Luiz Schiavon perde um de seus melhores amigos que conhecia há mais de 40 anos.


Hoje em 2022 o RPM continua ativo, e se prepara para lançar um novo álbum.