O RPM foi capaz de alcançar a unanimidade do público adolescente-juvenil.

RPM o maior sucesso fonográfico deste tempo.


O rock nacional dos anos 80 teve seu auge entre 1983 e 1987. Os anos entre 1981 e 1982 preparam tal auge. A partir de 1987, o rock nacional sofre uma gradual decadência. 

Pode-se dividir a fase de sucesso do rock nacional dos anos 80 em duas subfases: 
A primeira, de 1983 a 1985, dominada por grupos cariocas rapidamente adotados pelas grandes gravadoras, com um rock leve, alegre e vestido com roupas coloridas, conhecido como new wave brasileira, com vendagens razoáveis e que ajudaram a indústria do disco recuperar-se bem de um período de crise de vendagens; 

A segunda, de 1985 a 1987, modificando o centro criador do rock nacional mais para o eixo São Paulo-Brasília, revelando ou solidificando os principais nomes do rock nacional da década, e dando luz ao maior sucesso fonográfico deste tempo, o RPM.

Em 1985, as gravadoras ainda tentaram reeditar o “Verão do Rock”, lançando coletâneas e grupos alinhados ao pop ingênuo da new wave. Em geral, porém, os grupos e artistas que se mantiveram nesta tendência já esgotada desapareceram rapidamente do mercado, como atesta a coletânea organizada pela gravadora CBS, “Verão 85”. 

Nesta coletânea, foram exatamente aqueles nomes que se distanciaram da new wave ingênua os que alcançaram sucesso (principalmente o RPM), enquanto grupos que até anos antes faziam sucesso ficaram fadados ao GROPPO, Luís Antonio. Gênese do rock dos anos 80 no Brasil: ensaios, fontes e o mercado juvenil. Música Popular em Revista, Campinas, ano 1, v. 2, p. 172-96, jan.-jun. 2013. 184 esquecimento (como Rádio Táxi) ao lado de grupos frágeis musialmente e que tiveram vida curta.

O ano de 1986 foi dominado pelas bandas paulistas RPM - saída do circuito dos darks - e Titãs, pela brasiliense Legião Urbana e pela carioca Paralamas do Sucesso. 

Neste ano, os outros dois principais grupos de Brasília atingiram o ápice de suas vendagens, com seus LPs de estréia (Plebe Rude e Capital Inicial). 

Em 1987 e 1988, na mídia e através das gravadoras, anunciaram-se novas ondas de bandas de Brasília no mercado, tentando dar continuidade ao sucesso das três primeiras – principalmente o Legião. 

Mas, foram tentativas que não tiveram mais o mesmo êxito.

No segundo LP do grupo, Rádio Pirata ao vivo, a maior parte do repertório simplesmente repetia faixas já constantes no primeiro LP, acrescentando duas versões, além de algumas novas canções. Apesar de ser praticamente uma regravação ao vivo do primeiro LP, Rádio Pirata... vendeu cerca de 2 milhões de unidades.

Contudo, primordial para o sucesso do RPM e de todo o rock nacional no ano de 1986 foi a febre de consumo resultante do Plano Cruzado, que congelou preços e aumentou salários. Populações - de classes baixas a médias .

As consequências do aumento repentino do poder de compra da população foram uma explosão da procura e a incapacidade da oferta em acompanhá-la - forçando justamente o contrário do que fôra projetado pelo Plano Cruzado, ou seja, o aumento de preços devido ao excesso de procura. 

Em 1986 a indústria fonográfica já tinha obtido a maior façanha de sua história, vendendo só em 1986 o total de 55 milhões de discos e fitas K7, num montante de vendas no valor de 170 milhões de dólares, crescendo 40% em relação ao ano anterior. (BIZZ, abr. 1988, p. 62; BIZZ, dez. 1986, p.28).

O RPM acabou assumindo a função de puxar as vendagens de discos de pop-rock, nacional e internacional, no auge do Plano Cruzado. Foi a maior vendagem até então na história da indústria fonográfica brasileira (BIZZ, abr. 1988, p. 62). 

Assim como o Plano Cruzado, o RPM foi uma espécie de estrela cadente, de brilho raro mas brevíssimo. Foi um sonho da indústria fonográfica tão breve quanto a ilusão de que a solução definitiva dos problemas socioeconômicos do país teria se dado por meio de uma simples troca de moeda. 

Findo o Plano Cruzado e as ilusões, também as contradições do mercado musical pop-rock vieram à tona - principalmente os investimentos imediatistas e concentrados em uma única tendência que dera sinais de respaldo junto aos consumidores até seu esgotamento. 

O RPM só não esgotaria sua própria fórmula - que por um breve momento foi capaz de alcançar a unanimidade do público adolescente-juvenil - porque, pouco antes, encerrou suas atividades.