Com o passar dos anos, a história do RPM foi subestimada.


O RPM foi o maior e mais efêmero fenômeno do rock brasileiro nos anos 80


 

O RPM foi o maior e mais efêmero fenômeno do rock brasileiro nos anos 80, devido à exposição inédita que a banda teve na época graças a sucessos como "Louras Geladas", "Rádio Pirata" e a releitura para "London, London", de Caetano Veloso, entre outros.

Com o passar dos anos, sua história foi subestimada, como se o sucesso do RPM fosse apenas chancelado pelo apelo sexual de seus integrantes, mais precisamente do vocalista Paulo Ricardo, o que teria alçado o grupo à condição de fenômeno pop daquele período.


Ainda que a audição de seus maiores sucessos evidencie a passagem dos anos, tamanha a exposição a qual o grupo foi submetido na época, este lançamento tem o mérito de permitir uma avaliação isenta do legado do RPM. E, retratos da histeria adolescente oitentista à parte, não há como negar a qualidade dos textos de Paulo Ricardo e o pop rock sofisticado que o grupo fazia, em sintonia com as tendências musicais do período. Músicas como "Sob a Luz do Sol", "Juvenilia", "Sete Mares", "A Estratégia do Caos" e "Feito Nós" são bom exemplo disso, entre outras.

Para entender a trajetória fulminante do grupo, é preciso contextualizá-la com tudo que estava à sua volta.

O RPM estourou nas paradas, vendeu, em cerca de três anos (de 1984 a 1987), 5 milhões de discos em uma época que não existia CD nem internet – só LP e fita cassete.

Na década de 80, o rock nacional passou por um movimento que viria a marcar o gênero para sempre. Entre grupos como Paralamas do Sucesso, Kid Abelha e Titãs, apareceu um fenômeno que levou multidões à loucura. Com letras engajadas, como Alvorada Voraz e Rádio Pirata, o RPM surgiu no fim de 1983, liderado por um dos galãs da época, Paulo Ricardo, ganhou as manchetes. Galã de voz rouca, o roqueiro arrebatou milhões de fãs, principalmente mulheres e adolescentes, passou a estampar capa de revistas adolescentes em todo o país. 


Resultado: mais de cinco milhões de discos vendidos, fãs enlouquecidos e uma histeria coletiva por onde passavam o RPM. Tendo sido a coisa mais próxima de uma beatlemania tupiniquim, a febre pelo RPM dominou a mídia daqueles anos como nunca havia se visto antes. Músicas tocando toda hora e em todas as rádios, shows por todo o país, clipes e entrevistas em todos os canais enquanto meninas histéricas gritavam por seu ídolo Paulo Ricardo onde quer que a banda passasse. Quem foi adolescente naquela época sabe bem do que estou falando.

Em 1986, veio o disco Rádio pirata ao vivo, registrando a mega-turnê dirigida por Ney Matogrosso. O disco vendeu mais de 2 milhões de cópias, algo inédito no Brasil daqueles tempos. Foram cerca de 270 shows em pouco mais de um ano, um fenômeno milionário sem precedentes. A ressaca regada a drogas, esgotamento físico e mental e crises de ego foi brava e o grupo quase acabou depois da turnê. Mas eles respiraram fundo e continuaram juntos por mais um tempo. 



A superexposição na mídia e o desgaste interno acabaram fazendo ruir o sonho e o RPM acabou oficialmente em fevereiro de 1989.

 
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